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  • Foto do escritorAndré Sampaio

Edições (i)Limitadas

Durante muito tempo os termos Edição Limitada ou Edição Numerada eram sinónimos de exclusividade, algo especial, restrito, normalmente acrescidos de um pequeno aumento no preço ou não mas que ofereciam muito mais do que realmente apenas umas pequenas alterações e um preço mais elevado. Essas edições tinham um estatuto de culto e eram reconhecidas por muitos anos como A Edição Limitada e com muito orgulho sabíamos sempre qual o número do nosso. Era o nosso! E de facto eram limitadas...


Infelizmente temos visto ao longo dos últimos anos uma banalização deste termo, utilizada apenas como simples técnica de venda. O que realmente para mim é mais surpreendente é ver este técnica ser utilizada por marcas que a meu ver não tinham a mínima necessidade de o fazer.

Os exemplos mais flagrantes serão sem dúvida a Omega que “espremeu” a linha Speedmaster até ao limite e depois mais um pouco ainda, mas também a Panerai e a Tag Heuer por exemplo. Já nem vou mencionar a Hublot que tem uma edição especial para cada clube, treinador, estação do ano e cor das meias de 326 jogadores de futebol.



Até que ponto isto tem sido benéfico em termos de vendas para cada um deles?

Melhor ainda, até que ponto isso tem sido benéfico para os compradores??

Será que realmente os compradores tiveram a exclusividade que estavam a comprar? Será que realmente o acréscimo de preço trouxe alguma mais-valia para o comprador?


Primeiro que tudo há que distinguir a qualidade do relógio e a sua procura do sobrenome Limited Edition.

Por exemplo, todos os Panerai Bronzo e Speedmasters Apollo XI 50th anniversary seriam vendidos na mesma, independentemente de serem edições limitadas, era completamente desnecessário acrescentar o Limited Edition no final, especialmente no caso da Omega que fez “apenas” 6969 unidades....não me parece muito limitado nem acrescenta qualquer valor ao modelo que seria um sucesso de vendas na mesma.

Pior é quando entramos numa boutique e revemos todos os modelos e são todos edições limitadas a 500 unidades, a 1000 unidades e são tantas as edições que acabamos por perguntar quais é que não são edições limitadas.



Ver um relógio “limitado” a 1000 unidades que custa 8.000€ ou 9.000€ e está numa montra com mais 5 ou 6 modelos da mesma gama igualmente “limitados” a outras tantas unidades, de repente não parece assim tão exclusivo. É do tipo "escolha a sua edição limitada".

Este fenómeno acabou por criar outro. O fenómeno do investidor imediato.

Compra na hora em que sai o relógio e coloca à venda na hora seguinte na esperança de que a sua rapidez na compra se traduza num lucro fácil a quem chegou tarde e perdeu a “edição limitada”. Isto claro, só é possível devido à abundância de edições limitadas a serem lançadas quase semanalmente.

Os sites e blogs também ajudaram a criar este fenómeno porque muitos deles foram os principais beneficiários com as suas próprias edições limitadas. “Todos vendidos em 2 horas” é o slogan usual.

Mas depois abrimos o Ebay e o Chrono24 e metade deles estão lá, à venda por mais alguns milhares de euros, passadas umas semanas mais umas centenas, e finalmente passados poucos meses estão à venda ao preço de custo e até menos um pouco.

Quem ganhou com isso??

A marca e quem forneceu o nome à edição limitada claro!

Valor acrescentado para o comprador? Zero!!

Panerais, Hublots, Tags, etc, temos edições edições limitadas deste ano, do ano anterior, de há 2 anos e 3 anos disponíveis em qualquer revendedor e site online.

Neste momento, se fossem comprar um relógio desta gama e preço acham que o termo Edição Limitada vos traria qualquer acréscimo de valor?

No final o que é que isso diz das marcas?

Não são capazes de fazer nada realmente especial??

Só estão a pensar em vender rápido, sem oferecer nada de valor em troca?

Um pouco dos dois talvez...

É que curiosamente o top 10 de relógios mais procurados no mercado continuam a não ser “edições limitadas”....




Por outro lado tenho assistido nos últimos tempos a outro fenómeno.

O das verdadeiras “edições limitadas”.

Edições limitadas a 100 unidades, 150 unidades, às vezes tão pouco como 50 unidades. Preços exorbitantes claro! Não!! Pelo contrário. Muito acessíveis, passo a explicar.

A meu ver as marcas que mais têm oferecido aos seus clientes têm sido as marcas “budget”. Micro marcas e outras que normalmente vendem nos escalões mais acessíveis.

Vejam bem os exemplos da Baltic, Unimatic e da Seiko por exemplo.

Ainda há poucos dias atrás comentávamos num grupo de amigos a venda de um Baltic Bicompax Panda por mais de 1800€ quando o relógio custou em novo cerca de 600€. Comprar um Unimatic da primeira edição? Tarefa quase impossível e no caso de terem essa sorte não esperem um preço inferior a 2000€. Cerca de 4x mais do que quanto custou em novo. O Seiko TicTac 35° aniversário já só é vendido pelo dobro do preço semanas depois de ter sido lançado. Estamos a falar de relógios de 500/600€.

O que é que isso quer dizer desses modelos? Realmente ofereceram aquilo para que foram feitos. Exclusividade!

O que é que têm todos em comum? Para começar são relógios lindíssimos que oferecem uma excelente qualidade pelo preço que custam. Depois nenhum deles foi produzido em mais do que 100 a 150 unidades. Tenho a certeza que qualquer um desses modelos teria vendido 1000 se os tivessem feito. Mas essa não seria a ideia de "Edição Limitada" pois não?




Mais coincidências?? Nenhum deles foi vendido mais caro do que os equivalentes da mesma marca apesar da exclusividade. Mas não é esse o conceito de Edição Limitada?? Fazer poucas unidades de modelos apetecidos que ofereçam valor aos clientes que os adquirem? Premiar os clientes com edições especiais? Oferecer valor acrescentado pelo mesmo custo? Valorizar a marca? Fidelizar os clientes? Oferecer um relógio exclusivo, altamente apetecível, pelo preço das edições correntes, não seria essa a ideia primária das Edições Limitadas?

Parece-me básico mas por alguma razão grandes marcas com lucros astronómicos decidiram fazer exactamente o contrário. As Edições Limitadas não oferecem nada a mais ao cliente a não ser mais uns algarismos na etiqueta do preço. Com isso perde-se a exclusividade, do relógio e do cliente. Quando todos são exclusivos, o que acontece aos que realmente são? Deixam de ser...

Uma coisa é certa, relógios especiais irão vender-se sempre!

Não precisam colocar o Limited Edition no fundo da caixa para isso, mas também não basta colocar isso para fazer um relógio especial. São coisas diferentes...




Na minha opinião uma Edição Limitada nunca deverá ter um acréscimo de preço a não ser que realmente ofereça alguma mais-valia técnica ou material em relação à gama corrente. Sendo iguais na sua concepção e construção o preço deverá ser sempre igual. O objectivo terá de ser sempre o de oferecer uma mais-valia e exclusividade ao cliente, não fazer o cliente pagar mais pelo mesmo produto.


Por isso estejam atentos, nem tudo o que é Limited é ouro.....


Cumprimentos,


André S.

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